1 de agosto de 2011
Mais um ano? pra que?
23 de setembro de 2010
Silêncio

4 de junho de 2010
Especial
16 de fevereiro de 2010
Feriado de Carnaval
Segunda-feira de Carnaval. Feriado. Ruas vazias no meu bairro, graças!, e calor homérico. Ventilador na cara e laptop pegando fogo. Dizem que em países frios as pessoas são frias porque elas pouco se veem. Não dá para se encontrar com outras nas praças, lojas de ruas e etc numa temperatura menor que 0°C. Mas também não dá para sair de casa quando lá fora está 40° C ou mais. Do jeito como vai, futuramente vamos todos ficar trancados em casa, com nossos ventiladores e laptops, frios suando em bicas. Ou então inventarão uma roupa, tipo de astronauta, que tem ar condicionado embutido. It’s so cute.
Para animar um pouco este fim de dia, me peguei ouvindo uma interpretação de música clássica, que alguém postou no Twitter O.o. Bom demais, eu deveria tentar mais músicas do gênero. Postei no Buzz, aquele novo serviço gentilmente “cedido” pelo Google no Gmail. Meu cunhado me segue por lá, preciso manter minha fama de velha com ele. Enfim, isto não tem relevância, só uma tentativa de irritá-lo. Ele se irrita com meus costumes (beber chá e café) e gostos (existir Beatles, The Who, Neil Young no meu mp3). E também por causa dos filmes que vejo.
Falando em filme, sábado vi Vicky, Cristina, Barcelona, do Woody Allen. Definitivamente, este é um filme feito para homens. E só. Não há um grande romance, para ser de menininha. Nem há aventuras para crianças. Há só os dois beijos entre a louca Maria Helena (Penélope Cruz) e a “não sei o que quero, só sei o que não quero” Cristina (Scarlett Johansson). O que, portanto, o transforma em filme para homens. Haha, sim, generalização detected. Se não fosse isso seria um filme sobre o nada. Existem histórias salpicadas, sem muita ligação uma com a outra. O tal do estilo do Woody, não gosto. Troll detected também? Mas vale dizer que a trilha sonora é ótima.
Outro filme que vi foi Educação (An Education). Concorre ao Oscar 2010 como Melhor Filme, Melhor Atriz (Carey Mulligan) e Melhor Roteiro Adaptado. Não acredito que leve como melhor filme. Talvez a Mulligan leve o Oscar, ela trabalhou muito bem. Sobre o enredo, bem, quem já viu O Sorriso do Monalisa vai ver o outro lado do problema abordado no filme com a Pretty Woman. Conta a história de uma adolescente criada para ser uma mulher culta, em Londres, na década de 60 . Ela de fato gostaria desta vida, mas queria também “ouvir, falar e fazer o que quer, e não se vestir igual às universitárias*.” É um drama leve, recomendável. No filme, a mocinha fala de dois escritores que gosto muito: C.S. Lewis e Albert Camus. Eles não são importantes na história (talvez um seja), mas foi bom terem sidos citados. Tipo: “olha, eu conheço estes livros e estes caras...” Bobeira minha.
Tá bom, vou parar de fazer disto aqui meu diário de carnaval. Já tá bem grandinho o texto. Hasta!
*A Geisy, aquela do vestido vermelho, não existia na época, né?
17 de janeiro de 2010
Conversa em um Futuro Não Muito Distante
- Se esconder? O que quer dizer com isto?
- Ah, elas podiam passar despercebidas em muitos lugares.
- Sim, é verdade.
- E isto era bom?
- Era perigoso.
- É, mas pelo menos elas não tinham a sensação de estarem sendo vigiadas toda hora, né?
- Filha, nós não somos vigiadas toda hora. Só vamos ser em alguns casos especiais, como quando algo mal acontece com a gente, e aí investigam. Ou se realmente há suspeitas que fazemos algo errado.
- Eu sei. Voyeurismo não tem mais sentido, já que tudo pode ser visto mesmo...
- De onde tirou esta palavra? A observação não é em sentido sexual. Ora, menina, você anda lendo aqueles livros velhos do seu avô, não é? Não faça isto, pode trazer doenças para seu pulmão. Cadê o seu leitor eletrônico?
- Não sei, está por aí. Além do mais, estes livros não são mais lançados de modo que eu possa lê-los naquele aparelho.
- Claro, são porcarias. São perigosos.
- Quem deveria dizer isto sou eu, não?
- Não, por dois motivos: as ideias contidas lá são perigosas para sociedade e porque você ainda é menor de idade e sou responsável pelos seus atos.
- Perigosas para sociedade... Bom, nossa sociedade passou por esta época dos livros perigosos, como você fala. No entanto, aqui estamos nós, vivas.
- Nós estamos. Outros morreram por isto.
- E outros morreram por diversas causas. Não entendo que, por privar minha liberdade de ler o que eu quero, a sociedade esteja salva. Ou então eu andar por aí sem ter a possibilidade de ser vista por alguém.
- Segurança, minha filha. Você quer que qualquer ideia esteja solta por aí e brigas e mortes aconteçam por causa dela? Ou então, enquanto você passeia pelo parque venha um tarado e lhe faça mal?
- Isto tudo pode acontecer, com ou sem liberdade.
- Sim, mas se há uma vigilância mais efetiva, as leis são cumpridas com mais vigor e as pessoas vão pensar duas vezes nas besteiras que querem fazer. Se educarmos nossas crianças para o amanhã...
- “a vida em sociedade será melhor”, ok. Não acredito nisto.
- Se tivesse nascido em minha época e tivesse visto todas as mudanças que ocorreram depois de apararem e vigiarem o que podemos e não podemos fazer, acreditaria em tudo que estas palavras dizem. Antes, todos podiam fazer o que bem quisessem. Agora não, a vigilância contra o mal nos faz ter mais certeza de um futuro seguro.
- Segurança vs. liberdade...
- Sim, é isto. Se estas leis mais intrusivas não tivessem sido colocadas em prática, milhões de más ações ainda ocorreriam. Por exemplo, hoje em dia pais maltratam muito menos seus filhos. Casos de abuso de poder em ambiente de trabalho ou abuso de estabilidade que tinham alguns empregados quase não existem mais. Os direitos humanos estão presentes na vida das pessoas, mesmo sem elas perceberem. E elas se tornam melhores uma com as outras.
- Ah, mãe! não me venha com esta. As pessoas são obrigadas a serem mais “humanas”, elas não são de verdade. Antes, pensam nelas mesmas. Se não seguirem as regras serão castigadas. Não há altruísmo sem egoísmo.
- O que você anda lendo, hein? Falarei pro seu avô não deixar você chegar perto desses livros.
- Você aprendeu direitinho com as “regras da sociedade”... Vejo bem o altruísmo e egoísmo. Ambos não são nem bons nem ruins. São necessários. No entanto, não entendo esta obrigação de serem ambos bons por estes meios “efetivos”. Não tem como dominá-los totalmente. Um dia a casa cai.
- E o que você quer, um lugar onde todos façam o que querem? Já viu crianças mimadas? Seríamos isto, destruidoras da sociedade.
- Aí é que está. Quando não somos mais crianças, cada um tem que ver sua conduta. Não podemos simplesmente obrigar comportamentos em tudo, como é agora. Senão vai chegar um tempo em que haverá rebelião, igual está acontecendo comigo.
- Minha filha, você está sendo ingênua. Não podemos esperar que todos tenham comportamentos específicos por si só. Eles não terão. Se não tem outro jeito, é melhor obrigar e vigiar, pelo bem da sociedade. O bem da maioria.
- Uma ditadura.
- Chame como quiser. Se é pelo bem da sociedade então é uma boa ditadura.
- Foi o que todos os ditadores disseram.
- Mas estamos bem, não estamos?
- Temo que não.
2 de janeiro de 2010
Somebody Else's Song
Vinte e três de maio era uma quarta-feira. Celina abre os olhos e espera o relógio tocar. Está escuro, chove. Dia perfeito para usar suas galochas. Não é confortável usar galochas em dias quentes. Na verdade, em nenhum dia, ela pensou. Mas estão na moda e são tão... não, não são bonitas.
Relógio toca, ela levanta, se arruma e vai para a escola. Pega um ônibus e um bom trânsito de chuva. Ao passar numa praça, observa as poças de lama que se formaram no terreno. Para elas serviam as galochas. Queria que a moda de galochas tivesse sido quando ela tinha a idade de pular em poças de lama. Só assim para sua mãe comprar um par para ela.
Se a escola obrigasse o uso de galochas no uniforme feminino não teriam tantas garotas usando seus pares. Coloridos, com estampas xadrez, ou com personagens de desenho animado nos pares das pequeninas. O terror para os professores de Educação Física, já que as alunas não queriam usar seus tênis esportivos. E a visão do inferno da moda para Celina. Uniforme escolar e galochas nunca iriam combinar, nunquinha. Mesmo assim, ela usava. Afinal, já era estranha o suficiente e usar algo diferente das demais afastaria as poucas pessoas que se aproximavam dela.
A chuva passa. Um calor imenso invade a sala de aula. Celina sente a contradição de ter pés ensopados dentro das galochas. Queria desesperadamente tirá-las e usar algo mais confortável e fresco. Todos os dias se sentia uma idiota por seguir as outras e não tinha coragem de parar com isto. Aquele dia precisava ser diferente. Enquanto o professor de matemática ensinava introdução à economia básica, Celina buscava em sua mochila trocos que não economizaria na compra de sapatos novos. Viu que tinha o suficiente para comprar algo. Por estar impaciente arrumou suas coisas meia hora antes do sinal de saída tocar e esperou. Ninguém reparou.
Saiu rapidamente da escola após o sinal. Pegou um ônibus que a levaria ao centro da cidade. Sua mãe nunca a deixaria fazer isto sozinha. E o que falar em casa quando a mãe notasse os sapatos novos? A verdade. Procurou uma loja, encontrou uma que tinha sapatos da estação passada em promoção. Gostou de um par, pediu para experimentar. Enquanto esperava o vendedor ir buscar o primeiro, encontrou o par de sapatos vermelhos mais bonito que ela já tinha visto na vida. E mais barato do que o outro. Pediu para experimentá-lo também. Foi embora para casa calçando os novos sapatos vermelhos que, assim como as galochas, não combinavam em nada com seu uniforme, nadinha.
E a maioria dos dias do ano é comum. Eles começam e terminam sem nenhuma memória durável nesse tempo. Muitos não têm impacto no decorrer da vida. Mas outros mudam totalmente a perspectiva de uma pessoa em relação ao mundo e a ela mesma.
*Trecho retirado do filme "500 days of Summer". Gostei das palavras e pensei neste texto. Sobre o filme... éeee, bem, é comédia romântica, mas que conta a história de um rapaz de um jeito diferente. Dá para ver se você tiver tempo e mais nada para fazer, rs.
**Isso tá virando um blog pessoal =S... Vou tirar férias também =P
13 de novembro de 2009
Objetivos & Resultados
- É... oi. Quem é você?
- Uma miragem sua.
- Ah...
- Não se assusta?
- Por que me assustaria?
- Algumas pessoas se assustam com a imaginação.
- Pelo visto não sou esquizofrênica, é só uma imaginação. Mas se eu fosse não me importaria muito.
- Nossa, está azeda... O que houve?
- Consegui o que queria.
- Você é estranha. Geralmente, as pessoas ficam felizes quando conseguem o que querem.
- É, ou pensam que ficam. Talvez os outros as parabenizam e elas acham que devem ficar felizes.
- Ou ficam realmente.
- Sim.
- O que conseguiu?
- Um objetivo há muito desejado. Quase minha vida toda atrás dele.
- Se teve um fim bom, não vejo então o por quê deste desânimo.
- Sim, você não entende porque não está aqui no meu lugar.
- De fato... Mas, fale um pouco mais.
- Silêncio, preciso pensar. É que agora tenho que ir atrás de outro objetivo.
*Enquanto os meninos estão de férias, rs, fico viajando por aqui =)
** É melhor eles voltarem logo...
10 de outubro de 2009
Direita e Esquerda
Uma mocinha olhou sua passagem e viu que era o voo dela. Esperou que todas as pessoas fossem às filas para depois se encaminhar até a dela. Quando se formaram, ela olhou e se perguntou qual seria sua fila. Sempre tivera dificuldade com direções, direita e esquerda. Seu assento era o 14 C, portanto tinha que ficar na fila da direita. Pensou e foi para a direita.
Após um curto período de tempo, a fila em que estava começou a andar. Não demorou muito chegou sua vez de mostrar a passagem:
"Por favor, sua passagem, senhora."
"Aqui está."
"Senhora, sinto muito. Você terá que ir para o fim da outra fila."
"Mas por quê?"
"Senhora, sua fila é a da direita."
"Mas eu estava na fila da direita."
"Não, a senhora estava na fila da esquerda."
"Ah, sim. Você está aí depois do Portão D. Então você estava falando da sua esquerda? Como eu iria adivinhar, já que falou em Portão D, direita, esquerda e passageiros do lado de fora... Anh?"
Um pequeno sorriso se esboçou no rosto da senhora mocinha. E um grande embaraço no rosto do atendente. Até que o rosto do homem se iluminou e ele disparou orgulhoso o que parecia ser a maior cartada de sua vida:
"Senhora, então está dizendo que todos os outros passageiros estão errados e só você está certa?"
Ela não esperava por aquela resposta. Como contrariar todo mundo? Não adiantava discutir diante grotesca prova que ela estava errada e os outros todos certos. Mesmo que a direita do portão fosse a direita que ela falava.
Sem opção, se dirigiu para o final da fila da esquerda do portão, que para todos os outros na sala era a da direita.