2 de janeiro de 2010

Somebody Else's Song

2 de janeiro de 2010
A maioria dos dias do ano é comum. Eles começam e terminam sem nenhuma memória durável nesse tempo. Muitos não têm impacto no decorrer da vida.*
Vinte e três de maio era uma quarta-feira. Celina abre os olhos e espera o relógio tocar. Está escuro, chove. Dia perfeito para usar suas galochas. Não é confortável usar galochas em dias quentes. Na verdade, em nenhum dia, ela pensou. Mas estão na moda e são tão... não, não são bonitas.
Relógio toca, ela levanta, se arruma e vai para a escola. Pega um ônibus e um bom trânsito de chuva. Ao passar numa praça, observa as poças de lama que se formaram no terreno. Para elas serviam as galochas. Queria que a moda de galochas tivesse sido quando ela tinha a idade de pular em poças de lama. Só assim para sua mãe comprar um par para ela.
Se a escola obrigasse o uso de galochas no uniforme feminino não teriam tantas garotas usando seus pares. Coloridos, com estampas xadrez, ou com personagens de desenho animado nos pares das pequeninas. O terror para os professores de Educação Física, já que as alunas não queriam usar seus tênis esportivos. E a visão do inferno da moda para Celina. Uniforme escolar e galochas nunca iriam combinar, nunquinha. Mesmo assim, ela usava. Afinal, já era estranha o suficiente e usar algo diferente das demais afastaria as poucas pessoas que se aproximavam dela.
A chuva passa. Um calor imenso invade a sala de aula. Celina sente a contradição de ter pés ensopados dentro das galochas. Queria desesperadamente tirá-las e usar algo mais confortável e fresco. Todos os dias se sentia uma idiota por seguir as outras e não tinha coragem de parar com isto. Aquele dia precisava ser diferente. Enquanto o professor de matemática ensinava introdução à economia básica, Celina buscava em sua mochila trocos que não economizaria na compra de sapatos novos. Viu que tinha o suficiente para comprar algo. Por estar impaciente arrumou suas coisas meia hora antes do sinal de saída tocar e esperou. Ninguém reparou.
Saiu rapidamente da escola após o sinal. Pegou um ônibus que a levaria ao centro da cidade. Sua mãe nunca a deixaria fazer isto sozinha. E o que falar em casa quando a mãe notasse os sapatos novos? A verdade. Procurou uma loja, encontrou uma que tinha sapatos da estação passada em promoção. Gostou de um par, pediu para experimentar. Enquanto esperava o vendedor ir buscar o primeiro, encontrou o par de sapatos vermelhos mais bonito que ela já tinha visto na vida. E mais barato do que o outro. Pediu para experimentá-lo também. Foi embora para casa calçando os novos sapatos vermelhos que, assim como as galochas, não combinavam em nada com seu uniforme, nadinha.
E a maioria dos dias do ano é comum. Eles começam e terminam sem nenhuma memória durável nesse tempo. Muitos não têm impacto no decorrer da vida. Mas outros mudam totalmente a perspectiva de uma pessoa em relação ao mundo e a ela mesma.


*Trecho retirado do filme "500 days of Summer". Gostei das palavras e pensei neste texto. Sobre o filme... éeee, bem, é comédia romântica, mas que conta a história de um rapaz de um jeito diferente. Dá para ver se você tiver tempo e mais nada para fazer, rs.

**Isso tá virando um blog pessoal =S... Vou tirar férias também =P

4 comentários:

Anônimo

comédia romântica, heeein... =p hahahaha... bricadeirinha, livita. eu ñ vi esse filme. quando comecei a ler, pensei que você tivesse escrito. mas é um trecho bem legal mesmo. interessante. me fez pensar que a maioria dos dias do ano é igual como o primeiro dia. com a diferença que nos outros as pessoas não fazem promessas. mas, como podemos ver, podem ser bem mais significativos. ;)

não tire férias não! =p

bjim.

Lívia

Aproveita para me zoar, vai, vai =P.
É, tem que ter pelo menos um dia no ano em que a gente aprenda algo, né? Pelo menos um... rs

Sobre as férias, só não tiro se os meninos voltarem, hahaha. Se bem que isto não significa muita coisa, rs.

Brigada pelo comentário =)
bjs

Fabio

Bom texto, Livita. =D

Espero que vc não tire férias daqui, rs.
Pelo menos espere nossas férias acabarem, oras. hahaha.

Eu vi esses dias o filme 500 dias com ela.
É um bom filme. rs
e não é um filme romântico...

Falando em filmes, assisti Avatar pela terceira vez. Mas isso é outro assunto... rs

Bjos!

Lívia

Obrigada, Fábio =)

Não, não, vocês combinaram em tirar férias, também quero, rs.

Vc acreditou no cara do filme? Eu não, hehe.

Aí, tu gostou mesmo dos Smurfs Nova Geração, hein? Lálálálálálálálá, hahahaha. =P

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