Falando em clichê, este ano fiz algo bem do gênero. Peguei um livrinho que fala sobre Natal e Ano Novo do Carlos Drummond de Andrade para ler. Se chama "Receita de Ano Novo". Quis mudar minha rotina de fim de ano e teve um resultado até legal. O livro tem um trecho que gostei bastante. Vou mostrar para vocês:
Cheguei ao ponto construtivo destas considerações. João Brandão, que às vezes é modelo de sabedoria relativa (a absoluta consiste em deixar a fantasia agir), contou-me que todo ano recebe um cartão nestes termos: "CALMA, RAPAZ."
"E quem é que te manda este cartão?", perguntei-lhe. "Eu mesmo. Entro na fila, compro o selo, boto na caixa. Porque se eu não fizer isto, ninguém o fará por mim. Ao receber a mensagem, considero-a mandada por amigo vigilante e discreto, e faço fé na recomendação, que eu não saberia impor, diante do espelho." Pausa e continuação: "Tem me ajudado muito. Você já reparou que ninguém deseja calma a ninguém, na época de desejar coisas? Deseja-se prosperidade, paz, amor, isso e aquilo ('tudo de bom pra você'), mas todos se esquecem de desejar calma para saborear esse tudo de bom, se por milagre ele acontecer, e principalmente o nada de bom, que às vezes acontece no lugar dele. Como você está vendo, não chega a ser um voto que eu dirijo a mim próprio, pelo correio. É uma vacina."
Vacinemo-nos, amigos.
Então é isso, pessoas. Vacinemo-nos de calma.
1 comentários:
O do template é estranho... rs.
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