31 de março de 2010

Símbolos

31 de março de 2010

Depois de duas reuniões hoje, eu precisava urgentemente relaxar. Então fui ao cinema. Não tinha nada em especial para ver, até porque já desisti da lista de filmes que estão em cartaz, não vou ter tempo de assistir mesmo. Resolvi que iria fazer unidunitê para escolher um filme, mas nem precisou. Bati o olho no cartaz de “O Livro de Eli”, com o Denzel Washington. Li alguns comentários no Twitter sobre o filme, todos falando bem, e resolvi arriscar.
Não é ruim o filme, mas também não é um dos melhores do Denzel. Não pela atuação dele, e sim pelo enredo um tanto religiosamente irritante (pelo final acredito que tenha sido mais uma crítica às pessoas irritantes) e a atuação de alguns atores principais bem ruinzinhas. Posso ser até exagerada, mas muitas cenas me lembraram de momentos dramáticos de novela mexicana (ah sim, eu assistia muita novela mexicana!). De tudo o que vi uma coisa me chamou muito a atenção: o símbolo (no caso do filme o livro) é sobreposto pelo que ele é materialmente... Como?
Ok, tentarei explicar a ideia sem entrar no mérito do filme para não dar spoiler. Tenho em minha mente algumas hipóteses sobre a vida em geral. E os símbolos são uma dessas. Acredito que os humanos não vivem sem símbolos. Temos a tendência de representar uma ideia, um fato marcante ou simplesmente um sentimento com símbolos. Dar um presente é um bom exemplo. Ao presentear alguém, estamos tentando mostrá-la o quanto a estimamos, pelo menos na maioria das vezes. O presente em si não é o importante, mas sim aquilo que o ato representa. Aí que está o problema. Alguns presentes, e.g. um carro, se tornam mais importantes para muita gente do que um barquinho feito de papel*. Não discuto a utilidade que ele possa ter, mas sim o simbolismo que é perdido quando não observamos a “metainformação” que há no ato de presentear.
O simbolismo também é perdido quando tornamos o objeto em si mais importante do que ele representa para a gente. Vamos imaginar uma garotinha que ganhou um anel muito antigo de sua avó. A senhora passou à neta o presente para que ela se lembrasse dos momentos que passaram juntas. Um dia a avó se foi e a neta idealizou toda uma adoração ao anel. Ele se tornou o objeto mais valioso de sua vida, e que quando se casasse o anel da avó seria sua aliança e nunca o perderia. Anos passaram e um dia ela perdeu o anel, caiu num bueiro da rua. Dois meses em depressão e, apesar da insistência de muitos rapazes, acabou que nunca se casou. Sempre comentava com os outros a história do anel perdido, mas já não lembrava mais da brincadeira predileta dela com a avó.
Muitas coisas eu tenho para falar sobre os símbolos, vou deixar para uma provável próxima postagem. Sei que textos grandes demais enjoam. E este já está extenso por demais.

* Eu não fico de fora: não vejo sentido em dar um buquê de rosas, vejo em dar um vaso com tulipas vivas! =D

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