Continuando...
Tirando algumas pequenas dificuldades, chegamos ao bairro de Copacabana, ai começa a fase das esperas. Combinamos na estação do metrô com meu primo e um casal de amigos, que obviamente se atrasaram horrores (odeio esperar). Eu já estava agoniado pois queria muito ver o show de abertura que contaria com a ilustre presença dos Titãs, ingênua esperança. Após essas pessoas chegarem, um grande amigo meu falou: "Vamos encontrar uma amiga minha que também vai, ele mora aqui em copa mesmo, no caminho para o palco." Logo pensei, menos mal, não deve demorar. Eu já disse que sou muito ingênuo?
Após esperar a amiga do amigo terminar seu jantar(esperar na porta, na rua mesmo) de uns 20 minutos e ver a esperança de ouvir Titãs ao vivo indo pelo ralo, ficamos batendo papo, rindo uns dos outros, alguns vendo dirigíveis do "gogodis" no ar... (ele quis dizer Gooyear)
Após se unir ao grupo a amiga do amigo (esta vamos chamar de Mivian) acompanhada de alguns parentes, pensei, finalmente, agora vou ver o show. Errando novamente em meu pensamento me deparei com a maior multidão que de longe supera qualquer outra que já estive presente, eram mais de 30 pessoas por metro quadrado! Tentamos atravessar o quarteirão em frente ao Copacabana Palace, que para nossa informação era em frente ao palco, logo havia a maior densidade de gente.
Vendo várias cenas chocantes, pessoas passando mal, trombadinhas as dúzias, etc... e o calor intenso do verão carioca. Tentando nos manter juntos, queríamos apenas atravessar o quarteirão do hotel, para isso nós nos demos as mãos e tentamos atravessar a grande massa de gente. Após intensos 30min conseguimos andar cerca de 40m em um lugar que você mal consegue ver o chão de tanta gente. Nesse local onde já não havia espaço, ouvimos murmuros de confusão, até hoje realmente não entendo como que em um lugar onde mal conseguia-se ver o chão, abre um círculo de 6m de diâmetro. Um policial na tentativa de conter a massa, libera no ar uma substancia que nunca mais esquecerei em minha vida, chamada de "spray de pimenta". Só você sentindo pra saber, eu que sou alto conseguir notar claramente um movimento de sincronismo perfeito, de algumas dezenas de pessoas dobrarem seu corpo, começarem a tossir e fechar os olhos. É uma sensação de desconforto indescritível, mal se consegue respirar. Levando a mão ao rosto instintivamente, todos largaram as mãos. Na tentativa de me afastar da confusão e do poderoso spray, forcei passagem para uma rua próxima, tropecei e quase quebrei o isopor de um ambulante.
Depois de alguns minutos, que pareceram horas, me recompus e tentei avaliar a situação. Juntamos novamente o grupo em uma rua secundária. Fomos contabilizar os estragos, nesse momento dei falta de meu celular, indignado resolvi ir embora sem assistir a porcaria de show nenhum, foi ai que a Mivian sugeriu: Vamos voltar pra minha casa, vemos o show da tv mesmo. Como o local estava um tumulto só, aceitamos.
No conforto do lar de alguém, descansamos por alguns minutos, com medo de sujar o alvo estofado, já que neste ponto estávamos extremamente suados um pouco sujos. Nos foi ofertado agua, em garrafinhas descartáveis, levantando uma ligeira impressão estranha em alguns de nós, invasores de lar. Após alguns minutos de silencio incomodo, passado alguns músicas na TV sugeri que fôssemos embora antes do fim do show, pois já tive emoções suficientes por um dia. Após levantar a questão, a Mivian que eu não conhecia antes deste fatídico dia, de forma bondosa e cordial, nos sugere que passássemos a noite lá e fossemos embora pela manhã, por não ter nenhuma intimidade com a moça e uma timidez natural, fiz uma cara (insiste mais um pouco que eu aceito), nesse momento passa a mãe da menina e eu presencio o dialogo:
Mivian:
- Olha que absurdo mãe, eles querem ir embora nessa bagunça que esta lá fora, estou falando que é melhor eles dormirem aqui e irem embora amanhã, mas eles querem ir agora.
Tentativa da moça que sua mãe corroborase sua idéia nos deixando mais a vontade para aceitala, nisso a mãe responde:
- Se eles vão embora a hora é AGORA! A cada momento só piora.
Como diz minha mãe, para quem sabe ler, até um pingo é letra.
Decisão tomada, mais pela mãe da Mivia que por nós, ao rubor da face da moça, fomos decididos a ir embora.
Para nosso espanto, após andar 100 metros em direção ao ponto de onibus, avistamos o dito cujo logo a frente, e quem diria, vazio ainda, obstruido pelo grande engarrafamento, logo nos vem a mente, um lampejo de satisfação em meio ao caos. Todos no coletivo devidamente acomodados e comentando a sorte de tal feito, notamos que após alguns longos minutos o veiculo não se locomovia, transito ruim, logo pensamos. Ruim não, o píor que ja havia passado em um dia, sendo talvez superado apenas pelos históricos congestionamentos de carnaval. Após 1:30h contados no relógio, passamos novamente pela residência que havíamos sido "expúlsos", lembrem-se, apenas a 100m de onde pegamos o ônibus!
Naquele calor, em um coletivo abafado, solicitei a meu primo, único que estava na janela, para que a abrisse. Até hoje não entendo porque, todos que passavam do lado de fora batiam na lataria ou no rosto do meu primo.
Ao chegar próximo do lar, já quase sentindo a maciez de minha cama foi ai que notei a ausência da chave de meu lar, logo no dia em que não havia mais ninguém em casa...
1 comentários:
Bom, já ouvi esta história inúmeras vezes,e todas elas eu acabei rindo.
Ta vendo como é bom não se afastar mais de 400 metros de casa!!
O máximo que poderia ocorrer comigo é ficar cansado depois que chegar em casa andando e ter que dormir na churrasqueira por causa da chave!!
Abração.
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