23 de setembro de 2009

Dia mundial sem carro: Remédio na dose errada?

23 de setembro de 2009

Ontem foi o dia mundial sem carro. Que legal. Não? Bom, se não for, era pra ser.
Eu não tenho carro, não tenho moto, ando de bicicleta (que além de não poluir, melhora a qualidade de vida) todos os dias para ir trabalhar. Confesso que quando estou pedalando e chove ou quando vejo uma ladeira na minha frente, penso: Ia ser mais fácil se eu tivesse de carro.

Definitivamente, não sou hipócrita, gostaria de deixar claro que não tenho carro porque minhas economias ainda não me permitiram ter. rs. Além do mais acho muito legal a indústria automobilística e suas novidades tecnológicas. Assim como acho bonito o veganismo, mas, me amarro em um bife com batatas fritas e tudo que é feito de frango, porém detesto com todas as minhas forças a arrogância que a maioria seres humanos vê os outros animais sencientes, ou seja, capazes de sofrer, tratando-os como meros produtos da economia sem um mínimo de respeito.
O que eu quero discutir aqui é sobre a questão ambiental. Sabe de uma coisa? Eu tenho a sensação de que as pessoas estão dormindo num sono induzido por corporações que vez ou outra permitem elas darem uma "acordadinha" e ficar um dia sem andar de carro ou um dia sem lavar a calçada ou um dia sem jogar pontas de cigarro, papel de bala nas ruas. Não pense que estou me colocando contra o Dia mundial sem carro. Muito pelo contrário. Só acho que o remédio pode estar na dose errada, na hora errada.

Nesse tempo que estamos vivendo, a gente ouve e lê de tudo, até mesmo que esse papo de aquecimento global é uma grande farsa lançada como verdade por mero interesse das mesmas já citadas grandes corporações. Não me perguntem o porquê. Na verdade, ás vezes até parece mesmo, já que quando eu abro a torneira, a água parece correr limpinha e abundante. Dizem que a Amazônia perde não sei quantos mil metros quadrados de floresta por dia, mas a floresta continua sendo a maior do mundo. Dizem que as geleiras estão derretendo. Se eu fosse um urso polar, talvez pudesse acreditar nisso com mais facilidade (e intensidade). Mas se todos estão dizendo, deve ser verdade mesmo. E eu acredito.
Este é só mais um texto sobre um famigerado assunto. Sem a pretensão de conter idéias incontestáveis. Mas o que eu queria diferenciar um pouco, se é que isso é realmente possível é voltando ao ponto do remédio na dose errada. Como que um dia sem carro pode ajudar de fato? Eu gostaria de saber e acreditar. Será que isso vai "converter" algumas pessoas ao pensamento ambiental responsável? Espera-se realmente isso? Será que os presidentes, os acionistas das fábricas poluidoras (que detém maior poder de decisões influentes) vão passar a ter algum pensamento bonzinho? E não somente tomar algumas medidas apenas dentro do possível com a intenção de melhorar a imagem da empresa.

Não sou um pessimista, se eu tiver tendência a isso, peço a Deus que me ajude a me livrar de ser um. Mas com tanto mau-caráter mandando e inocentes obedecendo por aí, fico mesmo com a sensação de que mais ou menos um por cento da sociedade faz alguma coisa pra valer. Dependendo do que eu ouvir no dia fico achando que a porcentagem é maior ou menor. Essas pessoas que compõem esse percentual são dignas de todo o meu respeito e admiração. Mas se paramos para pensar, eles não estão fazendo mais do que a obrigação. E os outros 99% não fazem nem mesmo a obrigação.

Por fim, afirmo também que não sou radical, acho que é sim possível termos carros, comermos carnes dos mais variados animais e preservamos o meio ambiente simultaneamente, o problema é que parece que convivemos numa cultura muito forte onde se pensa que cada vez mais tudo é possível, tudo pode vir à mão rápido e que o planeta é uma fonte inesgotável de alimentos que só serve para nos servir. E pra mudar isso, só mesmo uma atitude radical. Ou mesmo um grande movimento eficaz que conquistasse as pessoas, engajando-as nessa causa. E isso é pra ontem, antes de ontem. Se o carro elétrico entrar realmente com força no mercado eu já vou considerar isso algo bom. No alto do meu otimismo, acredito que desses outros 99%, tem uma galera boa só esperando uma verdadeira boa idéia pra aderir, e sair da omissão muitas vezes quase que imposta, esperando por algo mais do que um apelo do tipo: "Vamos conter a devastação da Amazônia, antes que seja tarde demais".
Sim, vamos sim. Mas como?
E por falar nisso dia 5 de Setembro foi o dia da Amazônia, e segunda-feira dia 21, o dia da árvore. Alguém plantou uma? rs

p.s. Desculpem se ficou muito extensa a coisa aqui, é que esse assunto é muito pano pra manga e precisa muito ser discutido.

5 comentários:

Flávio Carneiro

Kra, concordo em parte com você...
Eu nem de longe sou ambientalista, mas nem precisa ser para termos noção da degradação que o homem causa a natureza que um dia se esgotará.
Eu já fui muito mais radical sobre questões políticas, tanto internas quanto externas. Com todo aquele pensamento Marxista anti- americanismo e como os ambientalistas culpam as grandes empresas quase que como únicas causadoras desse mal, era eu com os governos causadores de pobreza e desigualdade. Hoje em dia não os eximo de culpa, pois eles tem em suas mãos poder para causar um impacto muito maior de maneira mais rápida, mas vejo que na verdade qualquer que seja a forma de liderança (política, empresarial, etc...) a mesma não deixa de ser um simples reflexo da própria sociedade. Poderia culpar a eles plenamente pela degradação do mundo, mas pensando bem, acho que é o comodismo, e a falta de pensamento altruísta de nós meros liderados, que causa não só esse, mas quase todos esses males que afligem nossa sociedade decadente ladeira a baixo.
Eles tem muito poder, todo ele dado por nós compradores de Mc Donald’s, motoristas de carros poluidores e eleitores desmemoriados...

Fabio

Eu acredito que o maior problema somos nós mesmos cara. Porque se vc for analisar de maneira global, realmente mudar o mundo é para poucos, muito poucos. Mas mudar o seu mundo, o que está ao teu redor, além de ser uma obrigação, é algo perfeitamente possível. Talvez nos falte essa consciência. Esses eventos do tipo "Dia sem carro" que vc citou, ao meu ver, não tem a função de mudar o planeta diretamente. Seria apenas uma maneira de tentar conscientizar as pessoas a fazerem sua parte. A gente gosta muito de culpar o governo, as grandes empresas e tudo o mais por tudo de ruim que acontece ambientalmente no mundo. As grandes empresas, porque poluem. O governo, porque apóia no sentido de incentivos para o desenvolvimento. Mas é justamente o que o Flávio falou aí, quem consome os produtos das grandes empresas? Quem elege nossos governantes? A mudança sempre deve começar por nós. Bom post! Abraços.

Rodrigo Mira

É verdade, nós somos o problema, sendo um pouco curto e grosso o maior problema é como enfiar isso na cabeça da maioria, já que infelizmente acho que não adianta muita coisa em termos prático fazermos a nossa parte se a maioria não faz. Mas isso nao é motivo pra deixarmos de fazer a nossa parte(que já é alguma coisa) e sim pra continuarmos discutindo meios para melhorar a situação, ou tentar. Esse é o "X" e o "Y" da questão. Essa discussão não deveria esfriar.

Felipe Vasconcellos

Muito bom o POST. Acredito que estamos evoluindo cada vez mais e percebendo o quanto as riquezas naturais são importantes para o desenvolvimento do país, isso se exploradas com respeito e consciência. Sem querer fazer política, mas dêem uma olhada no plano de governo da Marina Silva (PV) ela possui um bom plano de governo com relação a esse assunto. Outra coisa deixei de comer carne vermelha e aves e isso troxe uma tranquilidade espiritual e melhorou a minha saúde, vejam também o documentário TERRÁQUEOS (você pode encontrar no YOUTUBE). Aqui deixo um incentivo de pesquisa para vocês: Comparem quantos kilos de soja seriam colhidos e quantos kilos de carne seriam "fabricados" no mesmo hectare de terra e no mesmo período. Lembrando que a carne de soja possui mais proteínas que a carne... Quem sabe essa pesquisa vire um papo de birosca... Mas sem a famosa carne assada com ovos cozidos e coloridos (rosa normalmente rsrsrs)
Um grande abraço Felipe Rodrigues de Vasconcellos.

Rodrigo Mira

Felipe esse documentário "Terráqueos", ele é verdadeiro e triste, sem ser sensacionalista. É muito bom. Eu ia inclusive coloca-lo como indicação, mas como já tava grande demais o texto desisti. Q bom q vc comentou.

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