23 de setembro de 2010

Silêncio

23 de setembro de 2010


Hoje vi uma entrevista do programa Provocações, na qual o entrevistador pergunta para a mulher o que ela quer deixar para o público como mensagem. Então ela responde que deixa o silêncio. O entrevistador, por sua vez, fala que o silêncio é covardia. E isso me atingiu de cheio.
Não posso deixar de concordar um pouco com o apresentador, realmente o silêncio pode ser o medo disfarçado. Mas essa é uma resposta até fácil e, acredito eu, não foi à toa que a mulher disse aquilo. Comecei a desenhar pensamentos que pudessem dar crédito àquela resposta e vi que, muito mais do que o medo, o silêncio pode ser uma expressão de liberdade. Quando se fica quieto, é possível ouvir o que se pensa. É tudo mais livre, de certa forma, apesar da carga de conceitos, preconceitos e de todas nossas verdades absolutas relativas. Somos nossos juízes, mesmo que algo nos encaminhe para uma repulsa ou aceitação do que se pensa. E aí está a liberdade, é uma experiência individual e a consequência externa, se houver, é culpa quase total do pensador.
O seu pensamento é um terreno impossível de ser explorado pelos outros e quanto maior o silêncio, mais perceptível ele será para você. Então me lembrei dos silenciosos. Acredito que muitos têm ou tiveram coisas interessantíssimas para falar, mas preferiram o seu terreno confortável, ninguém tem acesso. Daí o medo dito pelo apresentador. Ou é muito mais do que isso, é o entendimento que cada um precisa buscar o seu silêncio e achar sua própria trajetória. Mas todos podem fazer? Creio que sim, só que poucos fazem. Ainda bem que alguns conseguem e nos passam, senão os diversos pensadores ficariam somente no silêncio e hoje não teríamos o prazer de saber suas ideias. Essas ideias nos ajudam a formar, inclusive, aquela possível trajetória vinda do silêncio. E, na boa?, tudo me parece tão adoravelmente contraditório...
Um texto que veio do silêncio e que fez um barulho danado na minha cabeça. E ainda faz pouco sentido. E sabe o pior? Postei toda essa confusão que você deve ter lido.

2 comentários:

Flávio Carneiro

Eu tendo a concordar com o apresentador, afinal de contas, a maioria das pessoas tende a usar o silêncio como forma de passividade e medo.
Concordo com você que, momentos de silencio são imprescindíveis para a reflexão, mas havemos de concordar que em uma entrevista, onde se visa expor e conhecer o pensamento de outro, se este outro fica em silêncio, na maioria das vezes não expressa pensamento algum. Pode até ser que no contexto ele represente, mas fora assim não tenho nem o que discordar, o silêncio é uma fuga.
Bjão

Lívia

Ah, um comentário neste texto doido! rs

Flávio, eu sei que as pessoas têm que se expressar e tal, é importante pra vida e essas coisas chatinhas que precisamos fazer. Mas vc não acha que agora é tudo barulho? Me parece que o silêncio, muitas vezes, é melhor. Não sugiro a letargia, que vai vir de um jeito ou de outro, mas entendi e mostrei a propaganda do silêncio que a entrevistada falou ;)

Bjs

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