4 de junho de 2010

Especial

4 de junho de 2010
Um garoto normal e que dava bastante trabalho para os pais. Assim era Victor, um brasileirinho de 8 anos, como seria chamado pelo Fantástico, caso estivessem falando dele. Mas não, Victor não estava sendo usado para alguma matéria. E nem sendo estudado por ninguém. Era ele que pensava sobre certo dom que descobriu ter.
O dom nem era algo mágico, ou uma coisa extraordinária que fizesse dele um menino especial. Era um fenômeno chamado pareidolia, quando nosso cérebro associa no caos imagens já conhecidas por nós. A Wikipedia explica melhor. Obviamente, Victor não sabia que era seu cérebro que montava as imagens para ele. Então, depois de uma conversa com sua mãe, pensou ser especial por ver coisas que outros não viam:
- Mãe, você está vendo um cachorro aqui?
- Cachorro, onde?
- Aqui, mãe, nas manchas do azulejo do banheiro.
- Você é um menino muito criativo, meu filho.
- Não, olha aqui as orelhas. E o rabinho.
- Victor, pare de enrolar e vá tomar seu banho.
Enquanto fingia lavar a cabeça com xampu, ele chegava à conclusão que era sim um menino especial. Estava na cara o cachorro desenhado na parede, só que se a mãe não via era porque ela não tinha o dom. A partir daquele dia começou a catalogar num bloquinho de notas tudo o que encontrava pela rua. A sombra das árvores com formato de coelho, o musgo na parede que só ele via ser uma casa e até nas bolhas de sabão que formavam sóis enquanto a mãe lavava a louça.
Os anos passaram e Victor esqueceu o seu suposto dom. Na verdade, outros apareceram nesse tempo. Principalmente seu jeito mágico em relação às meninas. Garoto esperto e criativo, soube interagir muito bem com elas. Até que, arrumando suas coisas para se mudar de casa, encontrou o antigo e surrado bloquinho.
Lembrou com saudades da época que não entendia porque sua mãe não via as coisas como ele. E a superioridade por vezes sentida em decifrar imagens que ninguém dava atenção. E se deu conta que, assim como era quando pequeno, hoje acontecia a mesma coisa. Era especial no trabalho, na faculdade, para a namorada... No entanto, muito vinha da falta de conhecimento do todo, estava restrito ao seu pequeno mundo. E ele riu por perceber que só deixaria de ser o brasileirinho especial de 8 anos quando não pudesse mais pensar.

*Olá, pessoas invisíveis! Tudo tão parado por aqui, vim só dar um oi mesmo =)

2 comentários:

@feewoh

Gostei bastante do texto. Além de objetivo, claro, ele transmitiu uma mensagem.

Também agradeço pelos sábios comentários em:
Atualização de recados do Orkut (http://alturl.com/ckcp).

Parabéns e obrigado,
@Feewoh

Flávio Carneiro

Grande livita! Acho que também tenho essa parada ai de nome estranho...
E sou especial, pelo menos é o que minha mãe sempre me diz :D
Bjão

Postar um comentário

Puxa uma cadeira... Senta aí, fica a vontade! o/

 
◄Design by Pocket, BlogBulk Blogger Templates
st