
Mais uma indicação de filme! Dias corridos, sem inspiração para outros assuntos. =D
Conheci uma obra de Campanella há uns dois anos e até hoje me pergunto que preconceito bobo eu tinha contra as obras cinematográficas latinas. E a obra nem era um filme, e sim a belíssima série chamada Vientos de Agua. Até hoje procuro os DVDs para comprar e não encontro em nenhuma loja brasileira. Enfim, voltando ao filme, quando eu soube que O segredo era do Campanella, antes mesmo da indicação, já estava morrendo de vontade de ver. Ao saber que, além de concorrer, ainda ganhou o Oscar, tive que urgentemente arrumar um tempo para verificar se o argentino conseguiu fazer uma boa obra. E sim, conseguiu, com o orçamento baixo (para filmes) de 2 milhões de euros.
O filme conta a história do funcionário público aposentado Benjamín Espósito, interpretado por Ricardo Darín, que resolve escrever um livro contando o caso de um assassinato ocorrido na época em que trabalhava no Tribunal Penal de Buenos Aires, há 25 anos. Juntamente com seu subordinado direto, ele foi atrás das provas do crime. O tempo no filme alterna entre os dias atuais e a época do assassinato. Faz um paralelo entre quem eram os personagens e no que eles se tornaram. Ou, segundo Espósito, o resultado do que foi feito quando eram jovens.
Os diálogos no filme são simples e dão aquela sensação de "nossa, já passei por isso". Acho que são o que mais me encanta nas obras do Campanella. Como nesse diálogo que segue, entre Espósito e sua chefe Irene.
- Desculpe, preciso falar com você.
- Sente-se.
- Obrigado. Ontem aconteceu uma coisa... fiquei pensando toda a noite e não consegui dormir. Pensei em você... Sabe quando... quando alguém vê as coisas de um ângulo diferente, quando vê a outra pessoa, e isto faz você olhar para a sua própria vida.
- Continue.
- Sim. E disse a mim mesmo: tenho que falar disto com Irene. Talvez ela vá me mandar à merda... desculpe, talvez ela vá querer me matar, mas tenho que tentar.
Claro, o diálogo não está contextualizado, não faz muito sentido. Mas, enquanto Espósito falava com Irene, lembrei de momentos parecidos que tive, quando me arrisquei falar coisas absurdas com outras pessoas. E também o gosto amargo de não ter feito isso nas vezes que era para ter acontecido.
De ruim concordo com as criticas aos exageros na maquiagem (pessoas que tinham 30 anos, aos 55 estavam com cara de 80). Não há muitos efeitos visuais, mas isso nem é defeito. Eu até cortaria o único que lembro agora. E só, como qualquer fã não me prendi aos supostos defeitos, rs.
Filme para quem gosta de ouvir uma boa história, como o próprio Darín falou. Recomendadíssimo!

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